O Evangelho hoje da 3ª Semana da Quaresma é Mt 18, 21-35 e traz uma reflexão desafiadora e exigente.
Conforme o versículo 22, quando Jesus responde a Pedro que devemos perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete, no meu entender de peregrina dessa vida, Jesus nos convida a perdoar infinitamente, como Ele é exigente e desafiador!
Perdoar é ser humilde, é abandonar a dor, a tristeza e a humilhação, é escolher seguir em frente mesmo quando, na nossa compreensão limitada, o outro não merece porque não se arrependeu ou sequer pediu perdão.
A nossa humanidade "exige" reparação: "como assim não vai me pedir desculpas?" ou ainda "não consigo suportar tudo o que me causou", o Senhor, sempre perfeito em tudo o que faz nos perdoa infinitamente e independente do tamanho de nossas faltas por que não deveríamos fazer o mesmo? "Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Justamente devido à nossa humanidade nada podemos sem a Graça de Deus, é ela que nos faz levantar todas as manhãs, reconhecer a beleza da vida, sentir o ar entrar pelos pulmões... e é só através dela que conseguimos nos tornar mais semelhantes a nosso Mestre. É necessário pedir essa Graça e deixá-la entrar em nossa vida, escancarar as portas e janelas do coração.
Sempre que me pego pensando nas situações que ainda tenho dificuldade em perdoar, olho para a cruz e me lembro que Jesus no seu momento derradeiro foi capaz de perdoar o ladrão e entrar com ele no paraíso, que perdoou todos aqueles que o maltratavam e peço à Ele que me ajude a ter um coração manso, humilde e cheio de amor como o Dele.
Certa vez, durante a confissão, disse ao padre o quanto me incomodava essa minha dificuldade em perdoar e ele me disse assim "você pega de volta um presente que deu?", estranhando a pergunta respondi que não, então rindo "pega sim, você dá essas suas mágoas a Jesus no momento do ofertório, as coloca sobre o altar, mas em seguida pega de novo para você. Deixe lá! Ele sabe o que fazer com isso, elas não te pertencem mais!". Saí do confessionário pensativa e sempre que consigo (sim, porque é difícil) coloco no altar todas as coisas que precisam de perdão e conto com a ajuda Dele para não pegar de volta.
Abrir mão do desejo de punir o outro pelo mal que nos causou é difícil, é um ato de humildade, de desprendimento e de amor. Mas como amar aquele ou aquela que me fez mal? Se eu amar não aquela pessoa, mas o Cristo que habita nela aí sim pode ficar mais fácil. Perdoar Jesus é fácil porque Ele nos ama e não nos magoou.
Nessa Quaresma eu espero conseguir abandonar todas as minhas mágoas, perdoar de coração todos os que me trouxeram tristeza e seguir em frente livre dessas correntes que me prendem, atrasam meu passo e dificultam chegar a Deus.
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