A vida, às vezes, me impede de tocar os projetos como eu gostaria, procrastino um pouco, desanimo outro pouco, mas eles estão sempre aqui dentro, preenchendo todo o meu complexo universo interior. Compreender que isso é sobre mim, não sobre os outros, que antes de atender as demandas das pessoas preciso atender as minhas, me deu, muito recentemente, a paz que eu nunca encontrava. Não que Deus não me preenchesse ou me desse paz, ao contrário, Ele sempre me sustentou, e foi Ele quem me fazia levantar todos os dias, mas toda a Graça que Ele me concedia me fazia sentir não ser merecedora, que eu tirava isso de alguém que merecia ou precisava mais que eu.
É um pouco do contexto da minha falta de publicações, principalmente porque esse blog é para mim mesma, muitas das minhas reflexões são para organizar e exteriorizar certos sentimentos, obviamente à luz da fé, que é o que me sustenta todos os dias.
Ontem foi dia das mães e meus filhos me presentearam de forma linda, recebi um kit com salgadinho "sabooooor bacon", como minha criança disse (um de meus salgadinhos favoritos, inclusive), mini Coca-Cola e um tubinho de chocolate, também ganhei uma publicação no status do WhatsApp e um kit de produtos de auto cuidado: creme para as mãos, hidratante corporal, body splash e uma caixa de Bis branco. Mas afinal de contas, o quê tudo isso tem a ver com o título dessa publicação? Eu explico.
Hoje sozinha em casa fiquei revisitando esse dia, sempre faço isso com dias bons ou dias maus, os bons para tentar guardar um pouco da alegria que me trouxeram, e os maus porque fico ainda remoendo e sofrendo (coisa que já estou trabalhando para melhorar, obviamente), daí me peguei pensando nos presentes e sorrindo sozinha, e me dei conta que cada um me deu um pouco do que gosta e os faz feliz. Um gosta das guloseimas, que é algo que não permitimos com frequência, mas nas vezes permitidas foram acompanhadas de divertidos momentos em família, e essa criança não gosta de estar sozinha, ama fazer as coisas em conjunto, e esse foi o jeito de me dizer que gosta de estar na minha companhia. Outra gosta de ser vista, é uma criança que pensa que às vezes ninguém vê quem e como ela é, então gosta de receber um reconhecimento, daí a publicação foi a forma que ela encontrou de me dizer "te vejo, te amo, te admiro". E a última, gosta de se cuidar, de se amar, de se sentir bonita, e o jeito de me dizer que se sente cuidada e desejaria poder cuidar de mim também. Essas foram as minhas reflexões sobre esses presentes. Posso estar errada? Obviamente que posso, mas levei em consideração que tudo o que recebi de cada um foram coisas que eles mesmos gostam.
Recentemente fomos convidados a uma comemoração, e comentei com meu marido sobre como para mim é difícil presentear outras pessoas, mas que antes não era assim. Eu realmente gostava de presentear, passava muito tempo nas lojas escolhendo algo que a pessoa pudesse gostar, e que também a fizesse lembrar de mim, buscava cartões que fazia questão de escrever algo muito especial, vindo do mais profundo do meu coração, caprichava na embalagem do presente e detestava os sacos prontos, porque para mim, embrulhar o presente era um ato de carinho. Um dia tudo isso acabou e eu não me lembrava porque, mas é aquilo, de tempos em tempos eu fico ruminando meus sentimentos e me lembrei que quando eu chegava toda empolgada para presentear alguém, a maioria das vezes recebia aquele olhar de desdém, sabe, que te faz sentir o cocô da mosca do cavalo do bandido, porque muitas vezes era algo que meu orçamento permitia ou eu havia sido convidada por mera formalidade e a pessoa realmente desejava que eu não tivesse ido.
Daí chegamos ao título desse post "Presentear é, também, dar um pouco de si". Quem presenteia, geralmente, usa um pouco do seu dia para procurar e comprar o presente, ali ela deixa o tempo que poderia estar fazendo algo de que gosta ou precisa, também um pouco do dinheiro que é fruto do seu trabalho e que, talvez, poderia ser gasto com ela mesma, mas algumas pessoas deixam muito mais que isso, e é aí que mora, ao meu ver, o verdadeiro valor do presente: ela deixa um pouco do que nos faz lembrar dela, quando você pega aquela bolsa, calça aquele sapato ou veste aquela roupa e lembra com carinho de quem te presenteou. Na minha cabeça, esse é o melhor presente, que loja nenhuma vende: o amor e o carinho de quem presenteia para quem é presenteado, por isso acho que o maior valor não está no que pode ser pago com dinheiro, pois alguém pode te dar um presente caríssimo e não colocar ali um pouco do carinho que sente (ou não sente) por você, ao passo que outra pessoa pode te dar algo muito mais simples e barato mas que foi preenchido de carinho.
Acredito ser importante valorizar cada presente que recebemos, porque ali alguém deixou uma marca invisível mas que pode ser sentida por quem ama e é amado, nós também devemos presentear com o coração, deixando sempre um pouco de nós, do nosso amor no presente que damos.