segunda-feira, 11 de maio de 2026

Presentear é, também, dar um pouco de si

A vida, às vezes, me impede de tocar os projetos como eu gostaria, procrastino um pouco, desanimo outro pouco, mas eles estão sempre aqui dentro, preenchendo todo o meu complexo universo interior. Compreender que isso é sobre mim, não sobre os outros, que antes de atender as demandas das pessoas preciso atender as minhas, me deu, muito recentemente, a paz que eu nunca encontrava. Não que Deus não me preenchesse ou me desse paz, ao contrário, Ele sempre me sustentou, e foi Ele quem me fazia levantar todos os dias, mas toda a Graça que Ele me concedia me fazia sentir não ser merecedora, que eu tirava isso de alguém que merecia ou precisava mais que eu.

É um pouco do contexto da minha falta de publicações, principalmente porque esse blog é para mim mesma, muitas das minhas reflexões são para organizar e exteriorizar certos sentimentos, obviamente à luz da fé, que é o que me sustenta todos os dias.

Ontem foi dia das mães e meus filhos me presentearam de forma linda, recebi um kit com salgadinho "sabooooor bacon", como minha criança disse (um de meus salgadinhos favoritos, inclusive), mini Coca-Cola e  um tubinho de chocolate, também ganhei uma publicação no status do WhatsApp e um kit de produtos de auto cuidado: creme para as mãos, hidratante corporal, body splash e uma caixa de Bis branco. Mas afinal de contas, o quê tudo isso tem a ver com o título dessa publicação? Eu explico.

Hoje sozinha em casa fiquei revisitando esse dia, sempre faço isso com dias bons ou dias maus, os bons para tentar guardar um pouco da alegria que me trouxeram, e os maus porque fico ainda remoendo e sofrendo (coisa que já estou trabalhando para melhorar, obviamente), daí me peguei pensando nos presentes e sorrindo sozinha, e me dei conta que cada um me deu um pouco do que gosta e os faz feliz. Um gosta das guloseimas, que é algo que não permitimos com frequência, mas nas vezes permitidas foram acompanhadas de divertidos momentos em família, e essa criança não gosta de estar sozinha, ama fazer as coisas em conjunto, e esse foi o jeito de me dizer que gosta de estar na minha companhia. Outra gosta de ser vista, é uma criança que pensa que às vezes ninguém vê quem e como ela é, então gosta de receber um reconhecimento, daí a publicação foi a forma que ela encontrou de me dizer "te vejo, te amo, te admiro". E a última, gosta de se cuidar, de se amar, de se sentir bonita, e o jeito de me dizer que se sente cuidada e desejaria poder cuidar de mim também. Essas foram as minhas reflexões sobre esses presentes. Posso estar errada? Obviamente que posso, mas levei em consideração que tudo o que recebi de cada um foram coisas que eles mesmos gostam. 

Recentemente fomos convidados a uma comemoração, e comentei com meu marido sobre como para mim é difícil presentear outras pessoas, mas que antes não era assim. Eu realmente gostava de presentear, passava muito tempo nas lojas escolhendo algo que a pessoa pudesse gostar, e que também a fizesse lembrar de mim, buscava cartões que fazia questão de escrever algo muito especial, vindo do mais profundo do meu coração, caprichava na embalagem do presente e detestava os sacos prontos, porque para mim, embrulhar o presente era um ato de carinho. Um dia tudo isso acabou e eu não me lembrava porque, mas é aquilo, de tempos em tempos eu fico ruminando meus sentimentos e me lembrei que quando eu chegava toda empolgada para presentear alguém, a maioria das vezes recebia aquele olhar de desdém, sabe, que te faz sentir o cocô da mosca do cavalo do bandido, porque muitas vezes era algo que meu orçamento permitia ou eu havia sido convidada por mera formalidade e a pessoa realmente desejava que eu não tivesse ido.

Daí chegamos ao título desse post "Presentear é, também, dar um pouco de si". Quem presenteia, geralmente, usa um pouco do seu dia para procurar e comprar o presente, ali ela deixa o tempo que poderia estar fazendo algo de que gosta ou precisa, também um pouco do dinheiro que é fruto do seu trabalho e que, talvez, poderia ser gasto com ela mesma, mas algumas pessoas deixam muito mais que isso, e é aí que mora, ao meu ver, o verdadeiro valor do presente: ela deixa um pouco do que nos faz lembrar dela, quando você pega aquela bolsa, calça aquele sapato ou veste aquela roupa e lembra com carinho de quem te presenteou. Na minha cabeça, esse é o melhor presente, que loja nenhuma vende: o amor e o carinho de quem presenteia para quem é presenteado, por isso acho que o maior valor não está no que pode ser pago com dinheiro, pois alguém pode te dar um presente caríssimo e não colocar ali um pouco do carinho que sente (ou não sente) por você, ao passo que outra pessoa pode te dar algo muito mais simples e barato mas que foi preenchido de carinho.

Acredito ser importante valorizar cada presente que recebemos, porque ali alguém deixou uma marca invisível mas que pode ser sentida por quem ama e é amado, nós também devemos presentear com o coração, deixando sempre um pouco de nós, do nosso amor no presente que damos.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Sobre a improdutividade

Existem dias que simplesmente não consigo produzir, se pego um livro para ler fico no mesmo parágrafo por mais de dez minutos, lendo e relendo sem compreender absolutamente nada por mais simples que seja o texto, ou não avanço mais que uma ou duas páginas, logo sobe uma inquietação, aquela vontade de ver se chegaram novas mensagens, algo "urgente" para responder.

Tento então estudar algum assunto do meu interesse, e novamente não avanço e não consigo manter a atenção, penso que pode ser o cansaço e vou ouvir uma música, passo a levar muito tempo para escolher uma lista, tudo me distrai, quando finalmente encontro uma logo me canso e procuro outra e tudo recomeça. Desisto e parto para filmes ou séries e tristemente a saga reinicia...

Em um dia como esses, acabo por fim compreendendo que tudo o que preciso é repousar no colo do meu Pai, desfrutar da Sua presença amorosa, apenas estar. Contemplo o céu, sinto a brisa, as copas das árvores se balançando em um ato de louvor perfeito, as pequenas criaturas fazendo o seu trabalho, ouço a música da vida. Aí encontro tudo o que preciso, me desconecto do mundo, das suas preocupações e dificuldades para me conectar com meu Amor e comigo mesma.

Para estar com Deus não preciso de grandes e complexas ferramentas, palavras difíceis ou textos complicados, contemplar toda a beleza do que Ele fez é suficiente. Estar atenta a perfeição da minha respiração, em como o ar entra e sai, o movimento da minha barriga subindo e descendo num movimento perfeito e ritmado, as batidas do coração numa afinação perfeita, o sangue correndo por todas as partes do meu corpo, o calor que produzo...

Depois de estar com Ele consigo que as coisas fluam, os trabalhos podem recomeçar de forma frutífera, daí penso "Será que Ele estava com saudades de mim?" e refletindo um pouco mais percebo que na verdade eu é quem estava com saudades Dele, de sentir Seus perfumes, o som da Sua voz, de Sua presença... Que na verdade deixei que todas as preocupações e afazeres do dia a dia sufocassem Sua presença e me afastassem Dele. A minha alma sempre busca por seu Amor, sente a necessidade de estar sempre próximo, assim como uma criança pequena não gosta de estar longe de sua mãe e depois de se afastar a reencontra abraçando, sentindo seu cheiro e calor. Sou uma criancinha que necessita sempre ser carregada no colo do meu Pai.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Tua Graça me basta

No trecho da 2 Cor 12, 7-10, Deus me lembra não devo me preocupar com as dificuldades, com as minhas limitações e fraquezas, porque é nesse momento em que mais me fortalece o Senhor, é quando Ele me arma para suportar as mais difíceis batalhas.

Eu tenho muita dificuldade em confiar em Deus, não que Ele não seja digno de minha absoluta e total confiança, mas porque a minha humanidade, a necessidade de ter tudo sob o controle de minhas mãos ainda fala mais alto, deve ser a herança de Adão e Eva. E isso não quer dizer que estou conformada, é um defeito que sigo trabalhando diariamente.

É interessante como sempre todas as coisas estão interligadas. Semana passada andei refletindo sobre a Paz e nesta sobre a Graça, uma complementa a outra, uma não anda sem a outra. Confiar na Graça de Deus, lembrar que apenas a Graça Dele é necessária é o que me encaminha para a Paz. Não há Paz sem a existência da Graça do Senhor. Está redundante, eu sei, assassinei o idioma de diversas formas, mas repetir infinitamente sobre a Graça e a Paz que vem do Senhor me fazem perceber e relembrar o quanto sou amada por Ele, o quanto caminha comigo e não me desampara.

Todas as vezes que percebo estar me preocupando em excesso com alguma coisa sobre a qual não tenho o controle, repito várias vezes num exercício de auto convencimento "Tua Graça me basta!". E é tudo o que deve me bastar mesmo! Através dela alcanço a Paz, a Alegria, a Misericórdia, é ela que me aproxima do meu Pai, que me faz sentir e saborear a presença que Ele tem na minha vida.

Tem uma música que gosto de ouvir quando estou chateada ou preocupada com alguma coisa, tenho péssimo hábito de ouvir várias vezes, infinitamente a mesma música quando busco nela o meu consolo. Eu gosto da versão cantada por um cantor, se não me engano, canadense chamado Matt Maher e ela se chama "Your Grace is Enough". Ouvir música (geralmente alguma específica e em loop infinito) enquanto caminho, observo o vento mover as folhas das árvores, geralmente me ajuda a colocar as ideias no lugar e compreender o quanto a Graça de Deus é suficiente.

Para num futuro, quando eu reler essa publicação, vou deixar o link da música e da sua letra.

Letra e tradução

Música

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Sobre a Paz

Esses dias andei pensando sobre Jo 14, 27, que diz mais ou menos assim "Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham medo". De que tipo de paz fala Jesus?

Coversando sobre pecado com um grupo de amigos eu disse que os meus são muito visíveis, não percebe quem não quer, isso não quer dizer que sou conformada com eles, muito pelo contrário, me deixam realmente incomodada porque por mais que me esforce sempre acabo caindo novamente e isso pode me tirar a paz. Daí entra o início da minha reflexão: de que tipo de paz fala Jesus?

Na minha compreensão limitada, não é ser aquela pessoa totalmente livre de tribulações, só porque sigo Jesus, busco viver diariamente os ensinamentos Dele a minha vida magicamente vira uma calmaria, completamente cheia de paz, um verdadeiro jardim florido. Não, mas a paz de que Ele fala é sobre ter a certeza de que caminha conosco, que é a força que nos ajuda a caminhar quando não podemos dar mais um passo sequer, quando a vontade de desistir é grande...

Tenho aprendido a buscar o colo de Jesus quando sinto que algo me tira a paz, seja uma preocupação com algo que não funciona bem, meus constantes descontroles e irritação por algo que não posso controlar ou o medo, nessas horas eu me seguro nos braços Dele e digo "não posso mais" e sei que sou ouvida, pois Ele mesmo disse "28Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. 29Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. 30Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11, 28-30). Não há peso que Jesus, meu Amor, não seja capaz de carregar.

É essa paz que eu entendo que Ele fala, a de saber que tudo Ele providencia, cuida, zela, ama...

Aprendi nas Oficinas de Oração e Vida que quando algo nos tira a paz, devemos rezar da seguinte forma "em Tuas mãos o deixo" e seguir em paz. Tenho tentado exercitar ao máximo isso, há dias que me lembro da questão com muito mais frequência do que eu gostaria e em outros consigo entregar completamente nas mãos do meu Amor. É um exercício, uma prática diária se confiar plenamente a Ele, a paz que Ele propõe a nos dar. Gosto muito da música do frei Gilson sobre isso "Acalma minha tempestade". No barco da vida, nas tempestades do dia a dia é Jesus quem o conduz e as acalma, basta confiar: "em Tuas mãos o deixo".

Hoje o texto está desconexo, confuso, porque é exatamente assim que me sinto, por isso sigo dizendo ao meu Amor: "em Tuas mãos o deixo, me carrega em Teus braços porque eu não posso mais".

terça-feira, 5 de março de 2024

Perdoar pode ser libertador

O Evangelho hoje da 3ª Semana da Quaresma é Mt 18, 21-35 e traz uma reflexão desafiadora e exigente.

Conforme o versículo 22, quando Jesus responde a Pedro que devemos perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete, no meu entender de peregrina dessa vida, Jesus nos convida a perdoar infinitamente, como Ele é exigente e desafiador!

Perdoar é ser humilde, é abandonar a dor, a tristeza e a humilhação, é escolher seguir em frente mesmo quando, na nossa compreensão limitada, o outro não merece porque não se arrependeu ou sequer pediu perdão.

A nossa humanidade "exige" reparação: "como assim não vai me pedir desculpas?" ou ainda "não consigo suportar tudo o que me causou", o Senhor, sempre perfeito em tudo o que faz nos perdoa infinitamente e independente do tamanho de nossas faltas  por que não deveríamos fazer o mesmo? "Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". 

Justamente devido à nossa humanidade nada podemos sem a Graça de Deus, é ela que nos faz levantar todas as manhãs, reconhecer a beleza da vida, sentir o ar entrar pelos pulmões... e é só através dela que conseguimos nos tornar mais semelhantes a nosso Mestre. É necessário pedir essa Graça e deixá-la entrar em nossa vida, escancarar as portas e janelas do coração.

Sempre que me pego pensando nas situações que ainda tenho dificuldade em perdoar, olho para a cruz e me lembro que Jesus no seu momento derradeiro foi capaz de perdoar o ladrão e entrar com ele no paraíso, que perdoou todos aqueles que o maltratavam e peço à Ele que me ajude a ter um coração manso, humilde e cheio de amor como o Dele.

Certa vez, durante a confissão, disse ao padre o quanto me incomodava essa minha dificuldade em perdoar e ele me disse assim "você pega de volta um presente que deu?", estranhando a pergunta respondi que não, então rindo "pega sim, você dá essas suas mágoas a Jesus no momento do ofertório, as coloca sobre o altar, mas em seguida pega de novo para você. Deixe lá! Ele sabe o que fazer com isso, elas não te pertencem mais!". Saí do confessionário pensativa e sempre que consigo (sim, porque é difícil) coloco no altar todas as coisas que precisam de perdão e conto com a ajuda Dele para não pegar de volta.

Abrir mão do desejo de punir o outro pelo mal que nos causou é difícil, é um ato de humildade, de desprendimento e de amor. Mas como amar aquele ou aquela que me fez mal? Se eu amar não aquela pessoa, mas o Cristo que habita nela aí sim pode ficar mais fácil. Perdoar Jesus é fácil porque Ele nos ama e não nos magoou.

Nessa Quaresma eu espero conseguir abandonar todas as minhas mágoas, perdoar de coração todos os que me trouxeram tristeza e seguir em frente livre dessas correntes que me prendem, atrasam meu passo e dificultam chegar a Deus.

domingo, 4 de março de 2012

Quaresma

Quaresma é tempo de conversão, de oração e reflexão. Na realidade, o ano todo é tempo para isso, porém no tempo da Quaresma temos uma atmosfera mais voltada para a introspecção.

Cristo, através do mistério de sua Paixão, veio nos mostrar a importância do Amor, Ele nos deixou o Mandamento do Amor. Vamos usar esse tempo para analisarmos como anda o nosso Amor, se estamos sendo capazes de Amar verdadeiramente, sem restrições, sem preconceitos, se somos capazes de ver o próprio Cristo no outro.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Alegria e Esperança

Alegria e Esperança caminham juntas, quem se alegra um dia esperou, quem espera um dia se alegrará. Esperamos trazer um pouco de alegria e esperança àqueles que passam pelo desemprego nesse momento, e nos alegraremos com aqueles que esperaram e alcançaram a tão esperada recolocação profissional. À todos: Sucesso, Alegria e Esperança!

Presentear é, também, dar um pouco de si

A vida, às vezes, me impede de tocar os projetos como eu gostaria, procrastino um pouco, desanimo outro pouco, mas eles estão sempre aqui de...